quinta-feira, 9 de julho de 2015

Não existe blusa que cubra a vergonha das minhas pernas por não andar pra frente.

Acendi um incenso.
Respirei as sombras da chama,
as sobras da chama
- a fumaça -;
o cheiro de flor de lótus:
eu, que nunca havia cheirado;
antes, embriagada
pelo meu próprio ópio sanguíneo

...

Nova nota à mim mesma:
apague a luz antes de transar com fodas etéreas,
fecha a concha ostracizando o estômago da história,
não fique gritando muda, histérica,
isto ou aquilo de uma ferida aberta.
Cê que cortou os pulsos, lembra?

Pra entregar os pontos?

Agora, tome pérola boca adentro,
fazendo o céu da boca estrelado,
colocando de volta o intestino delgado,
delegando ao corpo que se recolha
à sua significância única, una, indivisível.

No fim, não tinha nada visível
só palavras, intenções furadas,
e eu, que me pego tragando todas
a fundo, no peito, depois dou uma baforada
& de novo - fumaça.
Só que cheia de nicotina e pedaços de vidro.

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