quinta-feira, 9 de julho de 2015

Não existe blusa que cubra a vergonha das minhas pernas por não andar pra frente.

Acendi um incenso.
Respirei as sombras da chama,
as sobras da chama
- a fumaça -;
o cheiro de flor de lótus:
eu, que nunca havia cheirado;
antes, embriagada
pelo meu próprio ópio sanguíneo

...

Nova nota à mim mesma:
apague a luz antes de transar com fodas etéreas,
fecha a concha ostracizando o estômago da história,
não fique gritando muda, histérica,
isto ou aquilo de uma ferida aberta.
Cê que cortou os pulsos, lembra?

Pra entregar os pontos?

Agora, tome pérola boca adentro,
fazendo o céu da boca estrelado,
colocando de volta o intestino delgado,
delegando ao corpo que se recolha
à sua significância única, una, indivisível.

No fim, não tinha nada visível
só palavras, intenções furadas,
e eu, que me pego tragando todas
a fundo, no peito, depois dou uma baforada
& de novo - fumaça.
Só que cheia de nicotina e pedaços de vidro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Não consigo nem olhar sua cara omissa porque egoísmo me apunhala te odeio.

Mais estômago ainda que depois de um ano inteiro e mais.
Mais estômago porque Maria, coitada. Não sinto pena na real;
Maria, coitada, continua naquela
jogada, quase defenestrada da janela,
beirando o limite como sempre.

Mais estômago porque talvez menos talento,
mas mais alento claro que não,
pois ainda estamos aqui e Maria ainda não sabe
de nada que é estar no presente.

Ela solta a raiva, destila porque poxa,
sempre tem como evitar.
Mas expectativas, quer dizer,
Mais expectativas?

Again Maria, coloca seu bolinho dentro do forno e não tira cru, tá?

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