Se despir, no fundo, requer coragem. Não apenas na hora em que deslizam as roupas, mas na hora de tirar as máscaras, do encontro óptico. A vontade de fechar as pálpebras x o infinito em que mergulham os olhos. O tom pastoso da saliva. A emersão astronômica do corpo. O surgimento, em tópicos subsequentes entre si
- da vaidade
- da timidez
- do desejo
- do medo
de deixar parte da própria energia em corpo alheio, e sabe-se lá se é aquela que te deixa com os pés no mundo cartesiano. Árduo trabalho consciente daqueles que só quando imersos no mundo subatômico encontram respaldo para classificar a sanidade. A sensação do atrito da pele x todo o resto. A sensação líquida dos beijos x o pescoço esticado conectado ao sistema nervoso central. Os corpos encaixados e as mentes desconectadas do material. A luz do dia x as roupas amassadas no chão. A necessidade de me encontrar depois de me perder em outro corpo. Aperto um baseado e mergulho em mim de novo, independente.
