quarta-feira, 21 de abril de 2010

Quantas vezes pensou em morrer por achar que não vive mais em um outro?

domingo, 18 de abril de 2010

Receita de Arroz Doce com noz moscada é pra comer lambendo os dedos

Trocaram a senha de acesso ao meu âmago por alguns dias, típico de um provedor que quer segurar uma energia atípica entre seus dedos gordos, e depois de séculos, no tempo psicológico, pude realmente juntar um material válido que me permitisse o acesso às minhas opções de ser. Desgastante. Durante dias tive que recolher informações alheias, umas legítimas e outras ilícitas, sobre minha aparência de self conception, meu humor de cardápio variado, meu terror de profundidade marítima e senso crítico estabilizado. Eu acertei a senha ao fim, e abri a cena na hora em que a vida da mocinha sofre uma transformação irreparável, porém não surpreendente, na hora em que o ketchup espalha e alguém pergunta se é sangue. É sim. Ando abortando uns moldes assim, de repente. E são de grife. Agora estou satisfeita com a minha self conception não aparente, aquela que é de verdade pra mim, que eu tiro da energia que gero com meu calor. Não pretendo ouvir argumentos terceiros, descarto mesmo quando não preciso mais. A senha é indescritivelmente fácil, mas não se exprime em palavra ou método. É mais uma questão de opção consciente, eu sou o tal.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Psychopatan

Apaga a luz. Todos os apartamentos lá fora estão apagados, e você está fora de moda. Certamente há os que dormem, os que saíram, os que curtem ficar no escuro, sozinhos, ouvindo um walk-man. Há os que fumam um cigarro em silêncio, os que tem medo de ser pegos acordados à 1 da manhã do dia dois de abril de doismiledez. Eu andei milhas nessa cadeira. Tirei umas fotos com os olhos, todas borradas. Se fosse explicar o que sou nesse segundo, o sol explodia. Como conter tantos mundos num apartamento? num bairro? num planeta terra? Expande; continuamente. Sai fora de moda, deixa a estação passar e deita numa rede. Abraça um coração e fecha os olhos pra ficar tudo escuro. Segura um pensamento com a mão e morde o lençol, baba na toalha de banho. Deixa a porta aberta quando for fazer xixi. Segue meus conselhos, sou seis dedos que digitam com unhas pintadas. Sou fashion, mas preciso que me lembrem disso sempre. Apaga a luz e fecha os olhos. Fecha as janelas pra ouvir o silêncio. Finge que só existe você e segura esse fingimento, aperta seu coração e baba no cabelo. Lambe suas lágrimas. Pega uma faca e corta sua garganta devagarinho, no escuro, pra ninguém ver você de walk-man.

Falafalafalafalafala e põe pra fora

Faz uma triagem na minha vida, que ando sem saco, sem pinto, sem discernimento. Andei três blocos para trás a fim de recuperar um sentimento perdido no meio da rua, não achei mais do que uma moeda. Pagou meu esforço, ando barata, ando sobre rodas sóbrias. Tentei atirar no alvo, mas estava sem bullets, fui pega de surpresa, me levaram que nem vi. Quando percebi estava numa cela, num cavalo, num ferry boat. Estava em qualquer lugar mesmo, sem maiores exigências. Estou com três palmos de cabelo a menos, perdi a vergonha alheia. Sonhei que esfaqueava um senhor que roubou os pensamentos que eu registrava desatenta. Roubou também uma bolsa que ganhei de uma tia que mora longe. Esfaqueei com lágrimas nos olhos, quatro vezes e ninguém me impediu, pois eu estava no meu direito. Ele nem se movia, me olhava como se tivesse feito tudo conforme devia. Foi tudo extraviado para o exterior, tudo o que se movia dentro de mim. Preciso de uma triagem, organizar o que ficou. Separar o joio do trigo; O certo do errado; A lebre da tartaruga. Achar minha moral. Estar pura e limpa para ouvir meu coração pulsar.

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