sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Quando não se entende e a dor se estende e não tem jantar

Ai vó, esse cordãozinho esse olhar perdido, almofada mofada, ficou para trás. É de outro agora. Nem a física explica, quiçá a quântica, porque mudanças bruscas de paradigmas constroem e desconstroem, e quando vê, vê-se que nada vê, de real. Essa lágrima contida dessa saudade contida, e no fundo sei que é só um mundo material, mas quando veio em sonho, nova, cabelos pretos encaracolados, como nos anos 70 ou 80 quem sabe, e não me enxergou porque sou too much. Vó, não queria dizer, mas fez-se aperto no meu peito. É que suas palavras, sabe. O amor sei que transcende. Mas de resto, tudo faz falta.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Quando bate a hora e esqueço a luz acesa

Estrago: onze e onze de la noche e nenhuma perspectiva de me alimentar antes que feche o portão. Que feche a garganta antes de te dizer que, esquece. O negócio é apelar para pãozinho com requeijão e mate, me sinto assim assim, pasme. Bate a cinza, recolhe se cai no chão, recolhe se espalham os pedaços antes que venham formigas, antes que toque a sirene, antes do toque de recolher. Você sabe, moro no convento. Você sabe, enquanto convir. Parei com aquele existencialismo barato. Você sabe que não, você sabe de tudo da minha vida. Você me é. Você é aquela face guardada que tiro como cartada quando fecha o tempo e é tempo de se sair com casaco, xarope, óculos (e sempre óculos) de raio-x, porque se tenho que me despir, todos se despem. E penso, esta é meiga, aquele gosta de cachorros, esse viajou o mundo, e naquele o mundo se reduz ao umbigo. No fim, baang, dois corpos no chão se olhando como se fosse o fim do mundo e só restasse uma solução ao amor: sexo. No Brooklin eu sou nigga. Canto rap, terrorista, cristã-judaica, ocidental, budista, universalista crística, crítica, atéia, feminista. Sou uma bola de pelo e me engasgo comigo mesma. Me cuspo, me reproduzo, morro e nasço, sou tudo, sou nada, sou o outro que me come com os olhos quando saio para nite, roupinha curta, maquiagem, olhar de gata marota. Te escolho com uma piscada. Te falei, existencialismo barato puro, addicted, pure hemp.

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