sexta-feira, 29 de julho de 2011

O prato vazio que precede o lavar

Parei de ler o horóscopo por séculos. É a terceira vez que varro este chão hoje, exilada. Meu coração apertado tic tac violeta; olhei pela janela do lado de fora e talvez nem seja tão ruim assim, quiçá. Telefonei para vários buscando um paleativo, um pingo de atenção. Imagino, descolorida. Não lavo o cabelo há três dias, um maço de cigarros, um aperto de metrô, esse estresse didático. Um horror. Invadi textos, conheci palavras novas, patrocinadas pelo devaneio de quem tem o pé no chão e a cabeça eletrochoques. Minhas unhas desgastadas. Sem uma literatura na mão. Retratos, te olho, me deu um brinco pós-mortem, conjuntinho. Sinto sua falta material. Minha bolosinha. O sinal de ocupado que destrói as possibilidades de ligar para minha tia. Para minha irmã. Para qualquer um. O tempo passando e eu aqui de barriga cheia. Voando em mim, transpassando esse barulho de carros, esse convento de freiras, um freio repentino atropelando um pedestre desavisado. Eu, pedestre. Sorte tem quem não me é, também não tem sorte de me ser. E vou me despindo escrita, sem um para me ler e dizer: dorme bem, meu bem.

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