segunda-feira, 22 de novembro de 2010

November ends

Ainda sem paciência para despertar. Desde que acordei levo esse silêncio no olhar, e todos perguntam se estou triste. De um lado os três me contaram, no meio da euforia e risos nervosos, todas as peripércias concedidas num momento de descontração. Eu mantive os olhos cerrados, mas sorri com consideração. Pena foi que não me convenci, e acredito que o dia esteve sem sal por isso ou por aquilo. Estou com saudades dos dias melancólicos, mas sem a melancolia presente. Isso porque quando os lembro a nostalgia apaga rastros de descontentamento, e apenas sinto um conhecido vento no rosto, um pedaço de mar e fumaça. Assisti ao filme da minha vida tantas, tantas vezes, redecorando os mínimos detalhes... hoje já não sei ser fiel aos fatos. Os fatos, agora, são fiéis à mim e a essa memória que sabota alguns pontos da história. Enfim, hoje flutuo, e não há texto espírito-quântico que me levante dessa piscina em que acordei afundada. Coloquei uns papéis em dia, mas queria mesmo era uma pitada de sonho. Não é tristeza, digo com sinceridade. É o silêncio, o puro silêncio que pesa depois do exagero. Tudo tem cheiro de deixa pra depois. Tudo tem cara de sem graça. Mas não tem a ver com tristeza, eu repito. É mais para introspecção contemplativa, se me permite enquadrar essa segunda-feira.

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