quinta-feira, 29 de julho de 2010

Cassete

"Olha esse papel-de-parede e chora, filho." Fiquei passada com palavras tão inocentes numa segunda-feira de manhã. Seria pior em outro dia da semana, nas segundas esperamos de tudo, com peito aberto e olhos semi-cerrados, depois de um final de semana com estripulias-consentidas. Coloquei uma ficha na máquina-de-dar-certo. Sempre coloco e faço um pedido, não é bem supertição, é vício mesmo. Vicei completamente no indescritível. Minha responsabilidade é um zero à esquerda quando me faço de alérgica. Já se passaram duas horas desde que cheguei do outro lado do mundo. Existe um chafariz tão egocêntrico e que se garante de tal modo que sempre acho que está chovendo. As pessoas trabalham para ocupar a cabeça nesse mundo de vazios, ansiosos para serem preenchidos. Preciso ser vagabunda pra ser escritora, mas isso não é passível de depreciação no mercado financeiro, apenas porque inventaram que é. Penso no menino de cabelos enrolados e sorriso feio, e meu coração acelera porque sou uma otária. Porém, uma otária feliz e consciente que um dia, vai dar merda. Ouvi um estrondo, um sinal de que alguém há de bater na porta e terei que fingir meu profissionalismo. Não estudei um pingo de teatro, mas represento sempre que tenho um full house. Câmbio-religo, preciso ser um ativo intangível que gera lucros para uma empresa, pela capacidade intelectual de transformar porra nenhuma em merda alguma.

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